Alisson Louback

É sabido que a infância molda o homem no futuro.  Alisson Louback, 37, paulistano-soteropolitano chegou à Salvador, BA, aos sete anos e viveu por lá até os 22. Morar em frente à praia em uma casa em que o quintal era a areia, livre em meio à natureza, fez dele um menino curioso, que criava seus próprios brinquedos com o que encontrava ao redor de sua casa. Pedaços e sobras de madeira nas suas mãos se transformavam em pequenos tesouros.Até encontrar seu verdadeiro caminho profissional, Louback teve diversas experiências. 

De sorveteiro a jardineiro,  monitor de matemática e física, de assistente de direção de filmes a diretor de arte se encontrou foi mesmo como fotógrafo. Há nove anos, divide-se entre projetos especiais, cobertura para veículos da grande imprensa  e o seu trabalho autoral que vem desenhando e aprimorando. 

Apaixonado por luz, o fotógrafo carrega uma memória afetiva presente e pulsante em torno dos momentos que passava observando o contorno da luz nas nuvens, a textura das folhas e troncos no contraluz do sol.  A capacidade da luz de revelar e esconder detalhes e de transformar qualquer  atmosfera sempre mexeu com ele.

Talvez por isso tenha se emocionado tanto ao conhecer um velho artesão que reforma luminárias há vinte e cinco anos,  em uma viagem recente à Escandinávia. Foi ali, naquele ateliê repleto de diferentes peças, parafusos, ferramentas e fios que ele voltou no tempo e se viu novamente criança juntando pedaços de madeiras para inventar brinquedos diferentes, naquele jogo de combinação em que tudo era permitido.

De volta ao Brasil se viu diante de um novo caminho: o de artesão da luz. Fotógrafo, sim, designer de luminárias também. E começou com o que nomeou de Design de Resgate. Há apenas quatro anos, Louback cria luminárias cheias de história, afinal cada peça que ele descobre, que encontra vem carregada de outras tantas: cúpulas vintage, pedaços de concreto, vidro, ferro, madeira, cobogós, itens cheios de personalidade, mas também muito simples que vai juntando de maneira harmoniosa para dar forma à peças únicas a partir de um processo orgânico e intuitivo. ‘Gosto das marcas do tempo, das imperfeições e riscos que algo usado tem. Me fascina o fato de resgatar o que está subutilizado, perdido e buscar um novo significado para aquilo, descobrindo uma nova beleza e utilidade’, diz ele.

O reaproveitamento de materiais, aliás, é um reflexo de sua curiosidade e da sua maneira de pensar o consumo. O artesão, como gosta de ser chamado, mostra que é possível entregar ao mundo novos objetos a partir do que já existe. O seu design carrega um pouco do passado, do presente, mas aponta para o futuro com muita poesia.






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