Arrasto

Série incompleta e que não se completará.
Vejo a puxada de rede desde que tenho 5 anos, quando minha família se mudou para Salvador.
A mesma cena que incansável se repete. Como o mar não esgota de entregar um punhado de peixes às pequenas redes, esses homens nunca me deixaram partir com a camera vazia. Homens com passados e presentes diversos, que se juntam às beiras da canoa por motivos tão diversos quanto.
Uns pelo amor ao mar, outros pelo ódio ao mundo em terra firme, outros ainda pelo gosto da solidão dos anônimos e aqueles pela companhia de irmãos. Há ainda os que não tem nada a perder, e os que não querem perder nada.
Em cada arrasto navegam em seus próprios mares e puxam as redes buscando a própria vida.
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